Sinvaldo Newbie


Registrado em: Aug 13, 2006 Mensagens: 8
|
Enviada: 10/06/07 - 21:00:55 Assunto: Impasse na Educação |
|
|
É profundamente lamentável que a Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura do Rio esteja criando um beco sem possíveis saídas, para a discussão sobre os termos da Resolução que extinguiu definitivamente com a reprovação escolar no ensino fundamental aqui na Cidade.
Estive, juntamente com cerca de seis mil professores, funcionários, alunos e responsáveis, participando do movimento pacífico ocorrido em frente à sede da Prefeitura, na Cidade Nova, no dia 23 de maio de 2007.
Mesmo sob intensa chuva e friagem, os manifestantes demonstraram que não estão mais dispostos a acatar bovinamente todas as resoluções originadas dos gabinetes da SME/Rio, sem que antes, professores, pais, funcionários e alunos, tomem conhecimento, e as escolas estejam em condições de cumpri-las, de acordo com suas características, localização e especificidades.
É preciso reconquistar a dignidade profissional do magistério!
Lamento a atitude da professora Sonia Mograbi e do Prefeito Cesar Maia, não recebendo a comissão de professores, pais e alunos, que se dirigiu ao seu gabinete no dia 23 de maio, durante o ato da manifestação.
O Prefeito, principal ideólogo do Partido que tem na sua designação o nome “Democrata”, pelo menos poderia ter demonstrado um pouco mais de cortesia, permitindo que as inúmeras crianças e adolescentes presentes ao ato público previamente agendado e oficialmente comunicado, pudessem ter acesso aos banheiros da sede da Prefeitura. Que é espaço público!
Crianças e adolescentes, além das professoras e demais participantes do manifesto, foram obrigados a se manterem distante das grades da sede da Prefeitura, durante mais de três horas, contidos por truculentos guardas municipais.
Evidente que houve exagero, e também desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente, instrumento legal tão citado nos documentos e resoluções da Prefeitura, quando se trata de “justificar” suas decisões imponderadas, como ficou claro, no caso da R 946, de 27 de abril de 2007.
Penso que os pais daquelas crianças e adolescentes maltratados por deliberação da Prefeitura, o próprio SEPE, ou qualquer autoridade do Ministério Público, deveriam questionar o Prefeito Cesar Maia para saber de quem partiu a ordem proibindo que cidadãos pudessem ter acesso ao prédio público em dia de expediente normal.
A Secretária Sonia Mograbi, e demais tecnocratas que idealizaram o sistema de ciclos e acabaram definitivamente com a reprovação nas escolas públicas da Prefeitura do Rio, precisam ouvir melhor os professores que trabalham efetivamente em sala de aula.
Tenho acompanhado, pelas reportagens de rádio e de televisão, as opiniões de “renomados educadores”, uns contra, outros a favor, e acho até pertinentes alguns discursos. Mas não são eles, - em geral professores universitários, - que convivem diariamente com turmas de 45 alunos. Certamente não trabalham em escolas sem infra-estrutura adequadas. Salas apertadas, mobiliário inadequado para o tamanho dos alunos, inexistência de ventiladores, laboratórios, espaço próprio para aulas de teatro, música, artes, comendo pó de giz e tendo que preparar resumos para leituras, por falta de livros didáticos e escassez de folhas para reprodução e distribuição aos alunos.
Não são os tais “renomados educadores”, defendidos recentemente pelo Prefeito Cesar Maia em seu ex-blog, como interlocutores preferenciais para discussão de tema tão importante, que estão obrigados a trabalhar com doze e até dezesseis turmas, em condições precárias.
Não são eles que se obrigam a viajar da Zona Sul para a Zona Oeste, ou da Zona Norte para o Centro, em trens, metrôs, vans e ônibus lotados, permanecendo no mínimo, quatro horas no trânsito, para enfrentar a diversidade das turmas, das escolas e das comunidades do Rio de Janeiro, enfrentando atos de violência e até mesmo hostilidade, em alguns casos.
Secretaria Sonia Mograbi, nós fomos concursados sim, sabemos como avaliar sim, estamos preparados para avaliar sim, somos profissionais responsáveis sim, mas não podemos compactuar com os termos da R 946, e muito menos com a imposição do sistema de ciclos, sem que haja substancial investimento na Educação e valorização salarial do magistério.
O Rio de Janeiro, nas condições em que vive a sua população e seus profissionais da Educação, não pode ser comparado, como vem tentando fazer o Prefeito Cesar Maia, com as cidades de países desenvolvidos onde o sistema de ciclos teria dado certo.
Um professor que dá aulas para quase quinhentos alunos, como é o meu caso, jamais terá tempo e condições adequadas para fazer uma avaliação diagnóstica, investigativa dialógica, propositiva, de caráter processual e transformadora, como foi idealizada pela Secretaria Municipal de Educação do Rio. Até gostaria que fosse possível!
Não acredito que haja educador interessado apenas em trabalhar para reprovar seus alunos, mas não podemos também ser coniventes com o ato irresponsável de aprovar todos como sugere a R 946, sem proporcionar condições para que o aluno possa realmente ter a sua recuperação paralela na própria escola.
Exigir que o professor, além da quantidade e da diversidade de alunos com os quais trabalha e das precárias condições da escola, seja obrigado a criar estratégias para a recuperação paralela é querer ludibriar a sociedade.
Deliberar é muito fácil.
Desafio qualquer tecnocrata da SME/Rio a passar um mês (apenas um mês e não o ano letivo inteiro) em uma escola de Santa Cruz, aqui na Zona Oeste da Cidade, dentro de sala de aula, com as turmas já formadas, e demonstre, na prática, que é possível, com tais medidas, acabar com a repetência, fazer a recuperação paralela e ainda promover com dignidade o aluno, como afinal, é desejo de todos nos!
Sinvaldo do Nascimento Souza, professor de História, trabalha em uma escola municipal de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, dando três tempos de aulas para cada uma das suas doze turmas de cerca de quarenta e cinco alunos cada, das atuais fases inicial, intermediária e final do terceiro ciclo e fase final do segundo ciclo, correspondentes às antigas 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries. No total são mais de 480 (quatrocentos e oitenta alunos). Celular 9706-7290
http://www.youtube.com/watch?v=lGsJmGFeQrM |
|