EXPOSIÇÃO NACIONAL DE 1875
Nos “Relatórios da Imperial Companhia Seropédica Fluminense”, apresentados à Assembléia Geral de Acionistas pelo seu presidente, José Cardoso, no final da segunda metade do século XIX, e década de 1860, cujos exemplares localizamos na Biblioteca do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, fomos encontrar informações preciosas para o levantamento da história da antiga Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Bananal que, naquela época, fazia parte da Vila de São Francisco Xavier de Itaguaí.
Os números positivos dos relatórios foram confirmados quinze anos depois pelo ex-superintendente da Fazenda Imperial de Santa Cruz, Dr. José de Saldanha da Gama, nos seus “Estudos sobre a quarta Exposição Nacional de 1875”, publicados no “Jornal do Commercio”, do Rio de Janeiro.
Saldanha da Gama conhecia bem de perto a produção da Seropédica, além de escrever como “Lente” que era da Escola Politécnica, tendo participado como representante brasileiro em outras exposições de caráter internacional.
Segundo Saldanha da Gama chegaram a trabalhar na Imperial Companhia Seropédica Fluminense, mais de 100 pessoas, que cuidavam da criação de bichos da seda, ainda mantendo o antigo estilo dos sericultores chineses.
Em Seropédica observavam-se atentamente as fases de formação do casulo, desde a primeira armação até que o casulo se completasse por inteiro.
A produção chegava a alcançar o número expressivo de 50.000 bichos do “bombyx-mori” por dia, entre os quais de cores amarela, branca, verde e brancos esverdeados, de origem japonesa.
A qualidade excepcional da seda produzida em Seropédica foi atestada por técnicos norte-americanos por solicitação de Luiz Ribeiro de Souza Rezende, então proprietário da empresa, que arrendara uma vez, passando de novo à sua propriedade.
Para a Exposição Nacional de 1875, Luiz Rezende remeteu 1.500.000 de casulos, isto é, um milhão e meio de grãos de seda não dobados (ainda não formados em novelos) , cuja libra de casulos chegou a ser vendida por 500 réis.
Ainda segundo Saldanha da Gama, “arrobas às dezenas saiam da fábrica em Seropédica para as mãos dos interessados no desenvolvimento, posto que lento, da sericultura, uma vez que não havia maquinário para maior incremento do trabalho, apenas um ou outro instrumento para a dobagem do fio em pequena escala.”
Não há dúvida a respeito da excepcional qualidade da seda produzida em Seropédica.
José de Saldanha da Gama escreve:
“A seda do Brasil não ocupa lugar inferior à vista dos estudos comparativos que acabamos de fazer, e tanto quanto nos foi possível julgar de conhecimentos alheios à nossa especialidade. (...) O expositor, de quem nos temos ocupado, remeteu para os Estados Unidos, certa quantidade de seda da indústria sérica nacional de sua propriedade, pedindo em termos claros e positivos o juízo de homens habilitados. A resposta não se fez esperar: responderam com três lenços da própria seda do Rio de Janeiro acrescentando eles: “mande mais seda e da mesma qualidade: não há superior no mundo”. Os citados lenços vimo-los em uma vitrine da exposição, quais documentos justificativos do quanto merece o produto nacional conclui Saldanha da Gama.
Assim, também nós concluímos, afirmando que o município de Seropédica já produziu a melhor seda do mundo!
Sinvaldo do Nascimento Souza
Professor de História da Cultura
Curso de Turismo
Faculdade Machado de Assis