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Anonymous enviou "Guaratiba: Arqueologia, História e Lenda
Guaratiba é antiquíssima ! Há registros cientificamente comprovados de que aquela região da Zona Oeste do Rio de Janeiro já era habitada pelo homem, há algumas centenas de anos antes da chegada de Manuel Veloso de Espinha, Jerônimo Veloso Cubas e outros portugueses que ocuparam as terras, como sesmeiros.
O Sambaqui Zé Espinho (seria uma referência a Manuel Veloso ? ) já se tornou internacionalmente conhecido graças aos estudos da professora e arqueóloga Lina Maria Kneip, da UFRJ, e sua eclética equipe de cientistas, que já publicaram obras como “Pré-História do Estado do Rio de Janeiro”; “Brasil antes do descobrimento” e, principalmente, “Coletores e Pescadores Pré-Históricos de Guaratiba”, em co-edição da UFRJ/EDUFF, que aborda os aspectos geológicos, botânicos, arqueológicos, zoológicos e de Antropologia Física, do sítio litorâneo estudado com a seriedade científica indispensável durante pelo menos vinte anos.
Dessa fase pré-histórica restaram alguns artefatos de ossos, de pedra e conchas, além de esqueletos, que tornaram possível um estudo antropológico das populações que permitem, por exemplo, afirmar que a estatura média do homem que vivia na região era de 1,63 m e da mulher em torno de 1,52 m e, ao contrário do “Homem de Lagoa Santa” (MG), com acentuado desgaste dos dentes, o primitivo habitante de Guaratiba praticamente não tinha cáries, em conseqüência de uma alimentação rica em cálcio e sais minerais.
A História oficial da região tem início por volta de 1580, quando Manoel Veloso de Espinha, casado com a filha de Brás Cubas, Jerônima Cubas, vem morar na recém constituída Sesmaria de Guaratiba, com toda a sua família, que passou a administrar engenhos de produção e exportação do açúcar e aguardente.
Veloso Espinha chegou a ocupar o importante cargo de oficial da Câmara da Cidade de São Sebastião, de acordo com Elysio Belchior, no livro “Conquistadores e Povoadores do Rio de Janeiro”, que também se refere aos dois filhos do fundador de Guaratiba: Manuel Veloso de Espinha (filho), senhor todo poderoso de engenhos na região e Provedor da Santa Casa de Misericórdia, de 1646 a 1648, e Jerônimo Veloso Cubas, que ocupou as terras vizinhas à Fazenda de Santa Cruz, então administrada pelos padres Jesuítas, nos limites da Ilha de Guaraqueçaba. Jerônimo foi encarregado pela família de fazer a doação de uma parte da sesmaria para a Igreja, onde mais tarde seria construída uma pequena ermida.
A respeito da construção da igrejinha, que ainda hoje resiste como patrimônio arquitetônico mais antigo de toda a Zona Oeste, há uma lenda remota, narrada por Eduardo Marques Peixoto no volume III, tomo especial da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, de 1939, que fala a respeito de uma índia cega e doente que vivia com o casal Jerônimo Veloso Cubas e Beatriz Álvares Gago. Segundo a narrativa de Marques Peixoto, “a velha índia passou a enxergar e ficou completamente curada, após convencer seus patrões de que havia recebido uma mensagem de Nossa Senhora para que fosse construída uma capela no lugar onde existia uma plantação de cravos. Com a imagem de Nossa Senhora do Desterro já entronizada no altar-mór, foi colocado entre suas mãos um pendão com três cravos que permaneceram vivos durante muitos anos”, conclui a lenda.
A atual igreja de Nossa Senhora do Desterro de Pedra de Guaratiba, teve origem no século XVII e passou por inúmeras reformas. Os azulejos da fachada não são originais, pois foram colocados no século XIX. Seu tombamento a nível nacional ocorreu no dia 21 de julho de 1938, o que vem comprovar sua importância arquitetônica, artística e histórica para a Zona Oeste e para o Rio de Janeiro.
Sinvaldo do Nascimento Souza
Coordenador do Curso de Turismo
Faculdade Machado de Assis
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Publicado em 26/08/2004 (22:51)
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