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Anonymous enviou "Curiosidades sobre Muriqui
A revista Época desta semana (12 julho 2004), publica, na seção do Meio Ambiente, uma interessante matéria a respeito do muriqui, o maior macaco das Américas. A partir do levantamento fotográfico inédito, a reportagem revela o dia-a-dia pouco conhecido do “gigante invisível”.
Procuro, em vão, nos tradicionais livros sobre a etimologia da língua tupi, a origem do substantivo que denomina um dos mais conhecidos e freqüentados balneários do município de Mangaratiba, região da Costa Verde Fluminense.
Nem Teodoro Sampaio, no seu “O Tupi na Geografia Nacional”, nem Júlio Romão de Santana, em “Geonomásticos locais de procedência indígena”, como também o meu amigo e professor Alexandre Leontsinis (“O Tupi nossa linguagem ecológica”) dão crédito ao vocábulo muriqui.
Houaiss, na rubrica de mastozoologia, apresenta o seguinte crédito: Muriqui, substantivo masculino: macaco da família dos cebídeos (Brachyteles arachnoides), endêmico das florestas do Leste brasileiro (da BA a SP), com até 63 cm de comprimento, pelagem macia e cinzento-amarelada; buriqui, buriquim, mariquina, mono, mono-carvoeiro, muriquina [É o maior macaco das Américas.].
Registrando Buriqui como corruptela de Myra-Qui, “gente que se bambaleia, que vai e vem”, o mestre Teodoro Sampaio explica que se trata de uma espécie de símios amarelados das matas do litoral, como alteração para Muriki, Barigüi, Baregui.
Fico imaginando se ainda existem, e por onde andam, os “mbirikis” do litoral de Mangaratiba, que galgavam o cimo das árvores em busca das bromélias para saciar a sede.
O espírito alegre e bambaleante dos gigantes invisíveis de Muriqui, cuja espécie está entre as 25 ordens de primatas mais ameaçadas de extinção no mundo, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, parece ter sido incorporado, literalmente, pelos carnavalescos que buscam Muriqui nos períodos de veraneio.
Aquela Muriqui pacata e paradisíaca, dos tempos do “macaquinho” de madeira, que atravessava todo o ramal ferroviário de Santa Cruz até Mangaratiba, fazendo-nos lembrar do poema de Manuel Bandeira, cedeu espaço para a irreverência dos blocos carnavalescos que animam e congregam os foliões autóctones ou de além-mar.
Os tortuosos caminhos de Muriqui, descritos na Geologia pelas suas características eruptivas filonares, por Alberto Ribeiro Lamego, e percorridos nas primeiras décadas do século XIX, por Rugendas, Spix, Martius, Pohl e tantos outros viajantes estrangeiros, revelaram a beleza da paisagem litorânea que propõe a interação tonal de todos os matizes esverdeados do que ainda restou da Mata Atlântica, com a harmonia do azul litorâneo, que se torna variegado com a incidência do brilho solar.
Muriqui é uma simpática localidade litorânea. A orla calçada e arborizada por amendoeiras é convidativa para os turistas, que apenas querem apreciar o nascer ou por do sol, ou a vista das ilhas da Baía de Sepetiba, dentre elas destacando-se a Ilha de Jaguanum e a da Marambaia.
Com muita sorte e muito mais imaginação, o turista que visita Muriqui, poderá deparar-se, desavisadamente, por entre as copas das árvores, com um exemplar bambaleante e remanescente da espécie de primata que deu origem ao nome da localidade.
Sinvaldo do Nascimento Souza
Coordenador do Curso de Turismo
Faculdade Machado de Assis "
Publicado em 12/07/2004 (8:24)
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