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DUDA MENDONÇA E OS VAMPIROS DE DUSSELDORF

Política Anonymous enviou "

Os Vampiros de Dusseldorf

A palavra escolhida foi “Dusseldorf”. Não parece ser tão estranha, a denominação atribuída à conta que foi aberta no Bank Boston das ilhas Bahamas, para que o publicitário Duda Mendonça pudesse receber os R$11,4 milhões do empresário Marcos Valério como parte do pagamento pelas campanhas que fez para o PT em 2002, incluindo a do presidente Lula.



Há um clássico da cinematografia alemã, de 1931, dirigido por Fritz Lang, que recebeu o nome de “O Vampiro de Dusseldorf”.
Trata-se da história de um maníaco sexual assassino de meninas na cidade alemã de Dusseldorf que, ao ser identificado, torna-se alvo de uma caçada promovida tanto por autoridades quanto por criminosos incomodados com o aparato policial que seus crimes mobilizam.
Aparentemente nada tem a ver com as versões que estão sendo contadas pelos “vampiros” que circulam pelos corredores da Polícia Federal, auditórios das Comissões Parlamentares de Inquérito e até mesmo suntuosos gabinetes do Supremo Tribunal Federal.
Cada “vampiro” tem a sua verdade. Verdades que se transformam em mentiras até que surjam outras verdades, que desmentem as versões anteriores, confundindo tudo e a todos, transformando-se novamente em lavadas mentiras.
Tal como “O Vampiro de Dusseldorf”, de Fritz Lang, “o vampiro” dos paraísos fiscais acabará também sendo perseguido pelos dois lados. Resta-nos saber quem é, ou quem são, os verdadeiros “vampiros” que se locupletaram com a dinheirama depositada nas Bahamas.Quem estaria de um lado? Quem se atreveria a ficar do outro? Quais seriam as autoridades? Quem faria o papel de bandido?
Teria sido apenas nas Bahamas? Seria apenas o montante que foi declarado? Haveria outro “vampiro”, além do Duda Mendonça? Vampiros agem como morcegos. Muitos deles precisam de sangue para sobreviver. Vivem perambulando soturnamente, mantendo-se, preferencialmente, fora do alcance dos olhares ou do conhecimento de outrem, até que sejam desvelados.
Dizem que Fritz Lang, com o seu filme lançado nos primórdios do cinema sonoro, teria antecipado de forma profética a decomposição da sociedade germânica na Alemanha pré-hitlerista. Outros preferem atribuir ao autor uma especial sagacidade para fazer do filme uma sátira social, explorando de forma sutil e irônica os efeitos do pânico coletivo.
Resta-nos saber que roteiros possíveis, os “vampiros brasileiros” das Bahamas estariam sinalizando para os principais atores. Quem seria o protagonista? Em torno de quem estaria sendo construída toda a trama?
Não pretendo forçar nenhuma alusão do assassinato de meninas por um fictício maníaco sexual da Alemanha de 1931, com a evidente analogia que poderia ser feita a partir da malversação do dinheiro público, que deixa de ser empregado em projetos sociais do governo e passa a enriquecer algumas dezenas de empresários, políticos e homens que deveriam estar trabalhando em benefício da sociedade.
Gostaria, como possibilidade de reflexão, comentar a respeito do título original da obra-chave de Fritz Lang. “Morder unter uns” (Assassinos entre nós) foi simplesmente alterado para “M”, com o subtítulo “Eine Stadt sucht einen Morder” (Uma cidade procura um assassino).
Quem, ou o quê deveríamos procurar, após o sórdido enredo apresentado nas últimas semanas pelos depoentes das Comissões Parlamentares de Inquérito?
Sinvaldo do Nascimento Souza, professor de História.
Santa Cruz, Rio de Janeiro – RJ.
E-mail: sinvaldosouza@aol.com

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 Publicado em 15/08/2005 (10:23)

 
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