Sinvaldo enviou "Hangar de Santa Cruz, lugar de memória
Os dirigíveis continuam exercendo forte atração no meio turístico. Sete décadas após a trágica explosão do “Hindenburg”, em Lakehurst, perto de Nova York, causando a morte de 35 pessoas, versões modernas dos “transatlânticos voadores”, voltam a realizar viagens panorâmicas em diversas partes do mundo.
Na Alemanha, a “Zeppelin NT” (New Technology), oferece vôos que vão de 30 minutos, até duas horas, com possibilidade de visão panorâmica sobre os Alpes, ou outros roteiros que podem ser contratados para grupos especiais de turistas, como aconteceu, no ano passado, com o cruzeiro Inglaterra-Holanda, ao custo de US$ 9,7 por passageiro
O mesmo pode ser feito no Japão, pela “Nippon Airship Corporation”, com vôos sobre Tóquio ou Nagasaka ou nos Estados Unidos, pela “Airship Ventures”, que passou a oferecer passeios na Califórnia, Rotas ao longo de São Francisco, Vale do Silício e às belas regiões vinícolas de Sonoma e Napa.
Há projetos em andamento, para a expansão dos vôos turísticos em dirigíveis, inclusive com a possibilidade de embarque no Rio de Janeiro, conforme deseja Wolfgang von Zeppelin, presidente da “Zeppelin Europe Tours Aktiengesellschaft”, neto do conde Ferdinand Zeppelin, criador dos primeiros dirigíveis.
A França não pretende ficar para trás, e também projeta o “Manned Cloud“, para atuar com dirigíveis de altíssimo luxo a partir de 2020.
Ainda que mais modesto que os gigantescos “Graf Zeppelin” e “Hidenburg”, da década de 1930, o “Z-Airship”, que está sendo projetado na Alemanha, - com previsão de lançamento em 2010 - , terá nada menos que 125 metros de comprimento, com uma gôndola capaz de acomodar 45 passageiros.
Não há, no Brasil, nenhum hangar, a não ser o de Santa Cruz, em condições de abrigar os dirigíveis da “Zeppelin Europe Tours”, incluindo o conhecido “NT”, já em plena utilização na Europa, nos Estados Unidos e no Japão.

O monumental hangar, que foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 3 de dezembro de 1998, tem nada menos que 274 metros de comprimento, 58 metros de altura e 58 metros de largura. Orientado no sentido Norte/Sul, o seu portão Norte, com 28 metros de largura e 26 metros de altura servia apenas para ventilação e saída da torre de atracação, sendo aberto manualmente.

O portão Sul, o principal, abria-se em toda a altura do hangar e possuía duas folhas de 80 toneladas de peso cada uma. Estas portas eram abertas graças a potentes motores elétricos ou alternativamente, de forma manual. As instalações elétricas eram revestidas por uma blindagem para evitar o surgimento de qualquer fagulha, que poderia causar um incêndio catastrófico nos dirigíveis.
No topo do hangar, a 61 metros de altura, existe uma torre de comando, de onde se pode avistar toda a área circundante, desde Sepetiba até ao rio Guandu.
O hangar de Santa Cruz continua cheio de vida. É lugar de memória, conforme definição do historiador francês Pierre Nora, por encontrar-se em permanente evolução.
São as lembranças registradas pelo senhor Newton Mousinho Filho, que ainda jovem trabalhou como auxiliar de eletricista na época da construção do hangar, e pode conviver com muitos passageiros dos dirigíveis e, posteriormente, com os aviadores de caça da Base Aérea de Santa Cruz, que fazem daquele monumento de arqueologia industrial, um lugar especial de memória.
Para o Turismo da atualidade, que vai buscando novas alternativas nos vôos panorâmicos dos dirigíveis modernos, equipados com computadores, gps, internet, além de serem construídos com material muito mais leve à base de carbono e alumínio, o hangar de Santa Cruz talvez ainda venha a ocupar um papel importante na “dialética da lembrança e do esquecimento”, “suscetível de longas latências e de repentinas revitalizações”, como pretendia Pierre Nora.
Sinvaldo do Nascimento Souza
Professor de História da Cultura
Curso de Turismo
Faculdade Machado de Assis
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Publicado em 13/04/2009 (8:54)