Sinvaldo enviou "Santa Cruz abrigará instalações da Gigante de Aço. Chacur fala em prioridade para contratação de moradores de Itaguaí e da Zona Oeste
Na época colonial, Santa Cruz era conhecida como a "Jóia da Capitania".
Na década de 1930 e durante os quinze anos do governo Getúlio Vargas, Santa Cruz passou a ser referenciada como "Celeiro do Distrito Federal".
No primeiro caso, em pleno século XVIII, no governo do vice-rei Marquês do Lavradio, "a jóia", - que correspondia às terras e propriedades da extensa Fazenda Real de Santa Cruz -, quase foi privatizada.
"O Celeiro do Distrito Federal" é uma referência à política agrícola empreendida pelo ministro Fernando Costa, titular da pasta da Agricultura no governo Getúlio Vargas, de tornar Santa Cruz um dos grandes celeiros do Rio de Janeiro.
A partir de meados da década de 1960, os campos outrora ocupados pela lavoura e pecuária, passam a receber as primeiras instalações industriais, como a Usina Termoelétrica de Furnas, a Companhia Siderúrgica Nacional, do Grupo Gerdau e, mais tarde, a Valesul, a Casa da Moeda, Latasa, Glassurit, Ecolab, entre outras.
Em todos os casos citados, a população de Santa Cruz permaneceu à margem do processo. Não desfrutou de grandes vantagens. Os empregos prometidos, sobretudo os que exigiam qualificação profissional, foram ocupados por moradores de outros bairros e até de outros municípios. Basta ver os ônibus que ainda hoje, ocupam os pátios de algumas das indústrias instaladas em Santa Cruz.
Com o lançamento da pedra fundamental da Companhia Siderúrgica do Atlântico, ocorrido no dia 29 de setembro de 2006, Santa Cruz passa a hospedar a empresa alemã ThyssenKrupp, e contribui para transformar o Estado do Rio de Janeiro no segundo maior pólo de produção de aço do país.
A produção de aço da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), que vai ocupar uma área de 9 milhões de metros quadrados, que eram utilizados pelos jesuítas como área de pastagem e campos agrícolas, poderá transformar Santa Cruz em um complexo industrial de porte gigantesco.
De início, segundo informações do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, o empreendimento poderá gerar US$ 2 bilhões em divisas para o Brasil, em exportações destinadas ao mercado norte-americano e europeu, a partir de 2009.
É um projeto desenvolvimentista, que vai criar um pólo de geração econômica e agregar ao cartão de visita do Rio de Janeiro um empreendimento de sucesso.
Também é uma mostra do que o Estado pode oferecer para investidores brasileiros, estrangeiros e ao Brasil?, disse o ministro Furlan, segundo jornal ?Valor Econômico?, de 29/09/2006.
Com uma previsão inicial de abertura de 18 mil vagas, na fase da implantação do complexo siderúrgico, e outras 20 mil vagas, diretas e indiretas, que surgirão a partir da produtividade, a Companhia Siderúrgica do Atlântico alega que estará também contribuindo para fomentar o desenvolvimento dos municípios vizinhos, como Itaguaí e Seropédica, além de prometer empregos para a população da Zona Oeste.
De acordo com o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Maurício Chacur, a contratação será feira a partir do Sistema Nacional de Empregos, com prioridade para os moradores nas regiões acima citadas.
Ao contrário de outras iniciativas do gênero, de empresas que se instalaram em Santa Cruz nas décadas de 1960 e 1970, sem qualquer preocupação com a qualificação da sua mão-de-obra a partir de moradores da região, a Companhia Siderúrgica do Atlântico, e o próprio governo do Estado do Rio de Janeiro, estão prometendo o futuro também na formação profissional.
Maurício Chacur aproveitou o lançamento da pedra fundamental da CSA para anunciar a construção de uma escola técnica em Itaguaí, mencionando também outras possibilidades de qualificação da mão-de-obra via Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo), que já oferece o curso de Tecnólogo em Siderurgia, além da Faetec, Cefet e do Senai.
A existência de uma infra-estrutura logística do Distrito Industrial, as proximidades do Porto de Itaguaí, a possibilidade de ampliação do sistema rodoviário, o ramal ferroviário em atividade para o transporte de minério e até mesmo as condições climáticas, foram alguns dos fatores que contribuíram para a escolha de Santa Cruz como o local mais adequado para a instalação da Companhia Siderúrgica do Atlântico.
As referências numéricas dos investimentos são surpreendentemente positivas.
As promessas de novos empregos e qualificação da mão-de-obra local são alvissareiras.
Os discursos sobre a onda de crescimento do Estado do Rio de Janeiro são promissores.
Resta aguardar e confirmar, que se trata de um projeto, de fato, com tecnologias limpas, e cujos benefícios principais serão, verdadeiramente, usufruídos pela população de Santa Cruz, da Zona Oeste e do município de Itaguaí.
Sinvaldo do Nascimento Souza, professor
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Publicado em 8/10/2006 (12:52)